sexta-feira, 21 de novembro de 2014

As coisas que eu vou aprendendo ( VII)

"Amanhã não posso vir trabalhar porque vou a  um óbito"
" Não dormi nada porque passei a noite num óbito"
 


Aqui não se vai a funerais ou velórios..... Vai-se ao óbito....


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Andar na rua

   Na terça feira foi o funeral de um general ligado ao partido do governo... Nesse dia o trânsito esteve absolutamente caótico.. Várias figuras importantes ( entre elas o grande líder) circularam pelas ruas de Luanda o que significa ruas cortadas ao trânsito e a confusão total.

  Saí mais tarde ( já de noite) e ia com algum receio.. depressa o perdi:  Nas ruas principais de dez em dez metros ( mais ou menos) dois ou três militares devidamente armados ( metralhadoras) e montes de policias guardavam as ruas. Nunca me senti tão segura!!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Tiros

   O A diz-me logo pela manhã : " Esta noite deu tiros na casa do homem... às 0:00 hora um homem deu tiros. Veio os militares mas não encontraram o homem".

    Como resultado, e para além dos habituais policias e seguranças, a esquina ficou com vários  militares, devidamente armados. E nos dias seguintes as árvores próximas da casa, umas foram cortadas e outras podadas.... Nada pode permitir aproximações não desejadas do local...

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Vistas (IV)

  Se vi uma galinha num telhado ao nascer do dia certamente não me surpreendeu ver um cão, também num telhado ao entardecer... Afinal estamos no hemisfério do lado de baixo portanto as coisas não estão de pernas para o ar mas são, seguramente, diferentes das do lado de cima...


sábado, 15 de novembro de 2014

A C., o marido e a outra....

    A C. caiu e tem  dores nas costas . A M diz-lhe que deve pedir ao marido para lhe fazer uma massagem nas costas com uma pomada para as dores musculares. Ela responde cabisbaixa que não pode ser porque o marido está com a outra... perante o nosso ar de surpresa conta-nos a sua história:

  Há seis anos sofreu um aborto e esteve internada 2 meses (??)... O marido pensando que ela ia morrer arranjou outra mulher... Como ela sobreviveu ficou com as duas. Passa uma semana numa casa e a seguinte na outra e assim vão vivendo alternadamente... Está com ele desde os 18 anos ( tem agora 44), têm 6 filhos em comum ( o mais velho tem 26 e o mais novo 9) e ele disse-lhe que apesar da nova mulher ( com quem entretanto já teve 2 filhos) nada lhe faltaria nem aos filhos....e tem cumprido e lá vão vivendo assim.


  Tentamos dar-lhe um pouco da nossa "filosofia progressista"  (  essencialmente  dizemos-lhe para o por a andar), ela baixa a cabeça e tristemente diz : " Não posso...não posso. E os filhos ficavam sem o pai?? e eu também gosto dele".

  Aqui, apesar de não existir (oficialmente) a poligamia é uma prática comum...