sábado, 24 de janeiro de 2015

Leituras recomendadas (VI)


Dália Azul,  Ouro Negro - Ampliar Imagem



  (...) Chegou agora a vez de Dália Azul, Ouro Negro, do jornalista britânico Daniel Metcalfe (n. 1979). Embora tenha por subtítulo Viagem a Angola, as primeiras sessenta páginas do livro não são sobre Angola. Os dois primeiros capítulos reportam a São Tomé e Príncipe, país que Metcalfe utilizou como trampolim para Luanda. Nesse intervalo complacente entre Belgrave Square e o Mussulo, pôde reflectir sobre que tipo de sociedade iria encontrar numa cidade onde "os estrangeiros pagam quarenta dólares por uma sanduíche absolutamente repugnante" [em hotéis que] "são obscenamente caros e, na sua maioria, de má qualidade." Incomodado com os mosquitos da ilha do Príncipe e com os ratos que infestam a Riviera Angolana (a península do Mussulo), nem por isso o autor desistiu. Há vocações para tudo.

A exploração de petróleo é um dos eixos centrais. A Sonangol e o vertiginoso enriquecimento de famílias ligadas aos apparatchiks mais notórios ocupam boa parte da reportagem, indo até ao Angolagate de Falcone & Gaydamak.

Isto dito, Dália Azul, Ouro Negro não é um livro de viagens tradicional. É um tour d'horizon contextualizado politicamente sobre uma economia em crescimento acelerado. A abrir, o recreio são-tomense serve para denunciar o tráfico de escravos, com o picante adicional, pouco conhecido entre nós, de dar a conhecer o boicote dos grandes fabricantes de chocolate (ingleses, alemães e suíços) à importação de cacau daquela antiga colónia, após a publicação de A Modern Slavery (1908), de Henry Nevinson.

Além de notas, o volume inclui um glossário.
 
Crítica de Eduardo Pitta
 
Dália Azul, Ouro Negro, Daniel Metcalfe

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Kixikila

Explicado por quem percebe mais do assunto, Kixikila é  isto:
 
    "No mercado atípico angolano, muitas práticas financeiras são utilizadas como alternativas às operações bancárias. Em Luanda e em muitas outras províncias, a Kixikila predomina como principal operação financeira alternativa às tradicionais operações bancárias, tornando-se parte do dia-a-dia de muitos jovens angolanos.
  Antes de mais, deve se dizer que a Kixikila é uma forma de financiamento na qual pelo menos duas pessoas contribuem periodicamente um valor igual, permitindo nesse período a utilização da totalidade dos valores por um dos membros. Esta é uma prática informal, que normalmente evita as burocracias e permite uma certa rapidez na obtenção de capital de crédito.
Este é um negócio que não requer formalidades e nem obedece a critérios particulares. A periodicidade pode ser mensal, quinzenal, semanal ou até mesmo diária, dependendo da vontade dos aderentes. Os grupos normalmente são compostos por não mais de 4 ou 5 pessoas, onde a única garantia é a mútua confiança entre os membros. Normalmente recorrem à esta prática os trabalhadores que auferem um salário não muito elevado, utilizando assim o dinheiro da kixikila para poder efectuar algumas operações que requerem um montante considerável."
 
 in http://www.jovensdabanda.co.ao/em-destaque/neuronios-no-ginasio-kixikila/8345-neuronios-no-ginasio-kixikila
 
 
 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

As coisas que eu vou aprendendo (IX)

   Kixikila: "esquema" em que várias pessoas se juntam e dão  um valor predefinido a uma das pessoas desse grupo que pode usufruir desse valor ( o dinheiro dado por todos os elementos) nesse mês.  Todos os membros do grupo terão um mês em que recebem o "bolo".
 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ano novo, caras ( e não só....) novas...


 Em 2014....

Em 2015....



( Nem é preciso dizer que quase rebentei a rir quando vi tal coisa: Substituir a face serena do grande líder pelas cuecas do CR7??? Sinceramente não se faz!!)



terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Economia

   Desde que saí daqui, o preço do petróleo continuou a baixar o que pode significar alguns problemas para Angola...
  
   Dizem-me que a gasolina/gasóleo subiu muito e que os preços também.
 
  Mas, em Luanda, não se nota nada. A cidade continua um autêntico estaleiro com prédios altíssimos em construção, as ruas continuam cheias de carros caros e até muitos "Hummers", Os supermercados continuam cheios...
 
  Em contrapartida, também continua a pobreza e a miséria em cada esquina da maior parte das zonas da cidade...
 
  Portanto até ver, tudo continua na mesma.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Sensações...

     Os dias que antecederam a partida foram relativamente calmos. Ao contrário das outras vezes não senti a ansiedade da separação do L, do M, da família, da casa.... Estava consciente que o tempo passa num instante e  sem eu dar por isso: brevemente estaria de volta.
 
  Foi no céu, algures sobre África, vendo a localização do avião que percebi que estava de partida e senti a habitual "sensação de aperto no peito e nó na barriga"...
 
    E depois aterro em Luanda, e no caminho para  "casa" tenho a sensação de que ainda ontem saí daqui...
 
 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Uma viagem sem história...

  Viajei ontem pela TAP num voo directo da amada pátria mãe para Luanda.
 
  Sem ser a turbulência e o facto do voo ter partido meia hora atrasado não há absolutamente nada a contar desta viagem:
 
  - Ninguém me revistou ou remexeu a minha bagagem confiscando-me artigos de higiene...
 
 - Aparentemente não iam animais no voo...
 
 - A comida de avião continua a treta do costume...
 
 - Os restantes passageiros portaram-se todos bem...
 
- Na chegada,  o controlo de passaportes decorreu com  a lentidão do costume mas sem sobressaltos....
 
 
  E chegada aqui levo com o habitual bafo quente  e mal ponho o pé fora do aeroporto tenho a malta do costume a oferecer os seus serviços ( "Madrinhá, qué táxi?" ).