quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

tradições

    A E. dorme literalmente em pé... teve um óbito na família e já há várias noites que não dorme...
   Um sério problema na assiduidade  ou na qualidade de trabalho dos trabalhadores aqui é causado pelos "óbitos"...

    Primeiro porque sendo famílias muito numerosas e com  os deficitários cuidados de  saúde que existem as mortes são comuns e a tradição é ter que ir a todos os funerais mesmo que seja de um primo afastado que nunca se viu..... O principio é " se eu não for também não virão ao meu". A importância da pessoa em vida mede-se pelo número de presentes no seu óbito...

  Depois, a própria tradição do óbito é algo complicada.... mal se sabe do "acontecimento", família e amigos rumam para casa do falecido ou de um familiar próximo. E aí ficam: " Mas fazem o quê?" pergunto à E. , deve achar a minha pergunta absurda porque me responde com um ar admirado: " Choramos, comemos e bebemos"..... E assim ficam até ao funeral propriamente dito e nos dias que o seguem. E isto pode demorar uma semana ou até várias...


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

tpa

   Ver o telejornal do canal público é :
 
  - Ter a impressão de estar a ver tempo de antena do partido do governo....
 
  - Ter dúvidas se o pais que vemos naquela janela ( TV) é o mesmo que vemos da janela de "casa" e do "carro"...
 
  -  Ter a impressão que Angola é o centro do mundo e um dos países mais poderosos do mundo....
 
  -  Descobrir novas palavras.....
 
  -  E novas ortografias.....
 
 
( Num telejornal vi  em letras garrafais escrito " Megawott".....em vez de Megawatt....)

domingo, 25 de janeiro de 2015

"Dália azul, Ouro Negro"

   De certeza que só me deixaram entrar neste pais porque não sabiam que trazia o livro comigo....

sábado, 24 de janeiro de 2015

Leituras recomendadas (VI)


Dália Azul,  Ouro Negro - Ampliar Imagem



  (...) Chegou agora a vez de Dália Azul, Ouro Negro, do jornalista britânico Daniel Metcalfe (n. 1979). Embora tenha por subtítulo Viagem a Angola, as primeiras sessenta páginas do livro não são sobre Angola. Os dois primeiros capítulos reportam a São Tomé e Príncipe, país que Metcalfe utilizou como trampolim para Luanda. Nesse intervalo complacente entre Belgrave Square e o Mussulo, pôde reflectir sobre que tipo de sociedade iria encontrar numa cidade onde "os estrangeiros pagam quarenta dólares por uma sanduíche absolutamente repugnante" [em hotéis que] "são obscenamente caros e, na sua maioria, de má qualidade." Incomodado com os mosquitos da ilha do Príncipe e com os ratos que infestam a Riviera Angolana (a península do Mussulo), nem por isso o autor desistiu. Há vocações para tudo.

A exploração de petróleo é um dos eixos centrais. A Sonangol e o vertiginoso enriquecimento de famílias ligadas aos apparatchiks mais notórios ocupam boa parte da reportagem, indo até ao Angolagate de Falcone & Gaydamak.

Isto dito, Dália Azul, Ouro Negro não é um livro de viagens tradicional. É um tour d'horizon contextualizado politicamente sobre uma economia em crescimento acelerado. A abrir, o recreio são-tomense serve para denunciar o tráfico de escravos, com o picante adicional, pouco conhecido entre nós, de dar a conhecer o boicote dos grandes fabricantes de chocolate (ingleses, alemães e suíços) à importação de cacau daquela antiga colónia, após a publicação de A Modern Slavery (1908), de Henry Nevinson.

Além de notas, o volume inclui um glossário.
 
Crítica de Eduardo Pitta
 
Dália Azul, Ouro Negro, Daniel Metcalfe

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Kixikila

Explicado por quem percebe mais do assunto, Kixikila é  isto:
 
    "No mercado atípico angolano, muitas práticas financeiras são utilizadas como alternativas às operações bancárias. Em Luanda e em muitas outras províncias, a Kixikila predomina como principal operação financeira alternativa às tradicionais operações bancárias, tornando-se parte do dia-a-dia de muitos jovens angolanos.
  Antes de mais, deve se dizer que a Kixikila é uma forma de financiamento na qual pelo menos duas pessoas contribuem periodicamente um valor igual, permitindo nesse período a utilização da totalidade dos valores por um dos membros. Esta é uma prática informal, que normalmente evita as burocracias e permite uma certa rapidez na obtenção de capital de crédito.
Este é um negócio que não requer formalidades e nem obedece a critérios particulares. A periodicidade pode ser mensal, quinzenal, semanal ou até mesmo diária, dependendo da vontade dos aderentes. Os grupos normalmente são compostos por não mais de 4 ou 5 pessoas, onde a única garantia é a mútua confiança entre os membros. Normalmente recorrem à esta prática os trabalhadores que auferem um salário não muito elevado, utilizando assim o dinheiro da kixikila para poder efectuar algumas operações que requerem um montante considerável."
 
 in http://www.jovensdabanda.co.ao/em-destaque/neuronios-no-ginasio-kixikila/8345-neuronios-no-ginasio-kixikila
 
 
 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

As coisas que eu vou aprendendo (IX)

   Kixikila: "esquema" em que várias pessoas se juntam e dão  um valor predefinido a uma das pessoas desse grupo que pode usufruir desse valor ( o dinheiro dado por todos os elementos) nesse mês.  Todos os membros do grupo terão um mês em que recebem o "bolo".